quarta-feira, 10 de abril de 2013

Detetive Especialista, verdade sobre Salvo Montalbano

Detetive Especialista, verdade sobre:

Salvo Montalbano

Detetive com todas as credenciais para integrar esse manual. Falo de Salvo Montalbano, um charmoso comissário de polícia siciliano, criado em 1994 pelo escritor italiano Andrea Camilleri. O sobrenome Montalbano é uma homenagem ao também escritor Manuel Vázquez Montalbán, influência literária de Camilleri e que também escreveu vários títulos policiais, dando vida ao detetive Pepe Carvalho.
Salvo Montalbano nasceu na cidade portuária de Catânia, próxima ao monte Etna, na Sicília. Catânia é daqueles lugares contemplados por uma arquitetura clássica, típica das cidades italianas que preservam suas antiguidades. Ele cresceu ao lado do pai, pois perdeu a mãe cedo. Na escola, foi um aluno preguiçoso e pouco entusiasta dos estudos, um membro da "turma do fundão". Naquela época, subverter as regras era até divertido.
Montalbano entrou para a corporação de polícia aos 30 anos. Logo tornou-se Comissário de Segurança Pública na cidade fictícia de Vigàta, província litorânea de Montelusa. É um policial intuitivo, que resolve os casos muito perceptivamente, costurando ideias “como se lhe acometessem lampejos intuitivos pelo caminho”, assim o diz Camilleri. Dono de uma memória fotográfica, prefere estar presente onde a ação acontece. É um workaholic incorruptível, mas não gosta de se gabar. Ele faz o impossível para evitar promoções, pois isso significaria uma mudança radical na sua rotina.
Seu dia começa cedo. Toma três xícaras de café preto pela manhã antes de partir para o comissariado, onde costuma chegar dez minutos atrasado. Do pequeno gabinete, chefia os brigadiere Fazio, Mimi Augello e Gallo (brigadiere são os agentes mais graduados da polícia civil). As conversas são geralmente permeadas pelas tiradas engraçadinhas e palavrões cabeludos. O tempero dos diálogos é regado por uma dose qualquer de cinismo, uma espécie de mecanismo de defesa usado para aliviar as agruras da profissão. No campo amoroso há Lívia, a noiva genovesa. Os dois moram em cidades diferentes e, por isso, vêem-se ocasionalmente. Vivem entre tapas e beijos, pois têm personalidade forte e são obstinados e teimosos. Mas Lívia geralmente leva a melhor.
Salvo não gosta de arrumar a casa. Para isso, conta a excelente ajuda da Adelina, sua empregada doméstica. Uma de suas paixões é a comida (aliás, paixão obrigatória a qualquer detetive fictício que se preze). Costuma se deliciar com os quitutes da Adelina, que cozinha enroladinhos de atum e massa com brócolis como ninguém. Nas redondezas, compra alimentos a granel na mercearia do Anselmo Greco - um pacotinho de grão de bico, amendoins torrados ou sementes de abóbora salgadas, e sai comendo pela rua. Também frequenta a Trattoria San Calogero, onde tem mesa própria e é atendido pelo garçom Serafino, que o serve com os melhores antepastos de frutos do mar, peixes e spaguettis. E quando come, é aconselhável não interrompê-lo.
Salvo Montalbano é estrela de vinte e quatro romances policiais de Andrea Camilleri, mas apenas treze foram traduzidos para o português. De 1996 para cá, Andrea Camilleri tornou-se um dos escritores mais populares da Itália, graças a esse personagem que tanto cativa leitores. Fico na torcida para que toda a obra seja lançada no Brasil, e que esta história não acabe tão cedo. Afinal de contas, as histórias de Montalbano conquistaram a Itália e vários outros países, e seus livros já totalizam 3 milhões de exemplares vendidos no mundo inteiro. Vida longa a Salvo.

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