Detetive Especialista, verdade sobre:
Salvo Montalbano
Salvo
Montalbano nasceu na cidade portuária de Catânia, próxima ao monte Etna,
na Sicília. Catânia é daqueles lugares contemplados por uma arquitetura
clássica, típica das cidades italianas que preservam suas antiguidades.
Ele cresceu ao lado do pai, pois perdeu a mãe cedo. Na escola, foi um
aluno preguiçoso e pouco entusiasta dos estudos, um membro da "turma do
fundão". Naquela época, subverter as regras era até divertido.
Montalbano
entrou para a corporação de polícia aos 30 anos. Logo tornou-se
Comissário de Segurança Pública na cidade fictícia de Vigàta, província
litorânea de Montelusa. É um policial intuitivo, que resolve os casos
muito perceptivamente, costurando ideias “como se lhe acometessem
lampejos intuitivos pelo caminho”, assim o diz Camilleri. Dono de uma
memória fotográfica, prefere estar presente onde a ação acontece. É um workaholic
incorruptível, mas não gosta de se gabar. Ele faz o impossível para
evitar promoções, pois isso significaria uma mudança radical na sua
rotina.
Seu dia
começa cedo. Toma três xícaras de café preto pela manhã antes de partir
para o comissariado, onde costuma chegar dez minutos atrasado. Do
pequeno gabinete, chefia os brigadiere Fazio, Mimi Augello e Gallo (brigadiere
são os agentes mais graduados da polícia civil). As conversas são
geralmente permeadas pelas tiradas engraçadinhas e palavrões cabeludos. O
tempero dos diálogos é regado por uma dose qualquer de cinismo, uma
espécie de mecanismo de defesa usado para aliviar as agruras da
profissão. No campo amoroso há Lívia, a noiva genovesa. Os dois moram em
cidades diferentes e, por isso, vêem-se ocasionalmente. Vivem entre
tapas e beijos, pois têm personalidade forte e são obstinados e
teimosos. Mas Lívia geralmente leva a melhor.
Salvo não gosta de arrumar a casa. Para isso, conta a excelente
ajuda da Adelina, sua empregada doméstica. Uma de suas paixões é a
comida (aliás, paixão obrigatória a qualquer detetive fictício que se
preze). Costuma se deliciar com os quitutes da Adelina, que cozinha
enroladinhos de atum e massa com brócolis como ninguém. Nas redondezas,
compra alimentos a granel na mercearia do Anselmo Greco - um pacotinho
de grão de bico, amendoins torrados ou sementes de abóbora s
algadas,
e sai comendo pela rua. Também frequenta a Trattoria San Calogero, onde
tem mesa própria e é atendido pelo garçom Serafino, que o serve com os
melhores antepastos de frutos do mar, peixes e spaguettis. E quando
come, é aconselhável não interrompê-lo.
Salvo Montalbano é estrela de vinte e quatro romances policiais de Andrea Camilleri,
mas apenas treze foram traduzidos para o português. De 1996 para cá,
Andrea Camilleri tornou-se um dos escritores mais populares da Itália,
graças a esse personagem que tanto cativa leitores. Fico na torcida para
que toda a obra seja lançada no Brasil, e que esta história não acabe
tão cedo. Afinal de contas, as histórias de Montalbano conquistaram a
Itália e vários outros países, e seus livros já totalizam 3 milhões de
exemplares vendidos no mundo inteiro. Vida longa a Salvo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário