Detetive Especialista, verdade sobre:
Espinosa
Filósofo do
crime, Espinosa nasce para a literatura em 1996, nas páginas do romance
“O Silêncio da Chuva”. Neste livro, é ainda inspetor da 1º Delegacia de
Polícia do Rio de Janeiro, um lugar onde o trânsito de ocorrências se
restringe a bêbados, punguistas e prostitutas da região do porto. Pouco
tempo depois, consegue transferência como delegado para a 12ª DP, em
Copacabana, onde inicialmente ocupa uma sala decorada com mobiliário
antigo e até uma resistente máquina de escrever, aparelho que seria
substituído posteriormente pelo computador e pelas ondas da internet. Em
meio a ofícios, processos e assassinatos, ele transita pelo velho
sobrado de dois andares, distante apenas duas quadras da famosa praia
carioca. A localização é, no mínimo, refrescante.
Espinosa
foi casado uma vez. Da união de quatro anos nasceu seu único filho,
Julio, que foi morar com a mãe no exterior. Por não ter parentes
próximos, o delegado leva uma existência solitária em seu modesto
apartamento, no Peixoto, confortando-se em meio a pilhas de livros,
comida congelada e uma vista tranquila da praça do bairro. Espinosa
praticamente congestiona o espaço físico de seu apartamento com livros,
abastecendo os cômodos do apartamento com edições de Joseph Conrad,
Ernest Hemingway e Herman Melville, um de seus autores favoritos. Já que
um de seus exercícios mais assíduos é postergar a aquisição de uma
estante nova, ele enfileira as conquistas literárias rente às paredes,
ao pé da cama e sob mesas e cadeiras, formando o que chama de “estante
em estado puro”. Suas peregrinações aos sebos e livrarias da cidade
acontecem regularmente, em meio a caminhadas à beira-mar, momento em que
organiza as ideias perdidas.
O perfil de
Espinosa é singular. Garcia-Roza o imaginou um homem viciado em café
(levemente adocicado), simpatizante de um choppinho diário e praticante
de hábitos alimentares pouco elogiáveis. Ele não tem o mínimo interesse
pelas artes culinárias, e até considera seu fogão um aparato
pré-histórico. Na hora da fome, abusa de sanduíches, pizzas,
hambúrgueres, milk shakes ou escolhe um dos congelados na geladeira,
como almôndegas com espaguete e lasanha à bolonhesa. Na padaria, opta
pelos alimentos passíveis às variadas “combinações na cozinha” e que, de
preferência, produzam o menor acúmulo de louça suja na pia. Presuntos
defumados, queijos e pães de forma são seus preferidos. Sem esquecer do
vinho tinto ou da cerveja bem gelada, é claro.
Já o
profissional Espinosa é um delegado incorruptível, mas pouco crente em
uma conduta ética de excelência no que tange a categoria. Seus trajes,
assim como o linguajar tranquilo, o discernem dos colegas de profissão.
Ele nunca usa tênis ou coletes de couro no ambiente de trabalho; prefere
paletós de linho, confortavelmente ajustáveis ao acessório de tiracolo,
o revólver. No processo de uma investigação, adota hábitos peculiares.
Durante as caminhadas quase meditativas, a postura é sempre a mesma:
ombros levemente curvados, olhar fixo ao chão, mãos nos bolsos da calça.
Alheio à figura do detetive cerebral, deixa a imaginação fluir frente a
casos obscuros, elaborando fantasias sobre possíveis causas e
diferentes formas de execução que um homicídio pode comportar. No fim,
por elaboração ou puro golpe de sorte, geralmente atinge um desfecho
satisfatório, embora nem sempre preencha a totalidade de lacunas criadas
por um crime.
Em um
intervalo médio de dois anos, Garcia-Roza costuma presentear o leitor
com um novo livro de Espinosa. Até hoje, foram mais de mil e oitocentas
páginas de intrigas envolvendo o detetive. Seja o mocinho da vez ou a
figura moderna do antiherói, o fato é que sua popularidade cresce livro
após livro. O tempo vem agindo a seu favor, consolidando a marca de um
personagem que atrai, cada vez mais, o interesse dos fãs da literatura
de suspense no país.
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