Detetive Especialista verdade sobre:
Sam Spade
Em 1930,
Dashiell Hammett imortalizou, nas páginas do livro "O Falcão Maltês",
aquele que se tornaria o primeiro detetive durão da literatura policial.
As histórias do carismático Samuel Spade, um homem que fala a linguagem
das ruas e não leva desaforo para casa, foram um divisor de águas no
mundo dos detetives da ficção. Com ele, Hammett inaugurou uma nova
dinâmica textual nos contos policiais, batizada de literatura noir.
O gênero noir (negro,
em francês) era diferente de tudo o que havia na época. O toque
realista imputado às tramas sem enfeite, tensas e cheias de ação,
integrava-se ao ambiente selvagem das metrópoles e ao submundo dos
becos. Os personagens não refletiam mais problemas da elite, grupo
social recorrente nos romances de enigma tradicionais. Caras calejados
como Spade romperam a imagem do detetive bom moço, sobrevivendo em
círculos regados a violência e corrupção, e valendo-se de pitadas de
astúcia, sarcasmo e jogo de cintura para driblar as ciladas da vida.
Chantagistas, prostitutas e ladrões eram o elenco de praxe das histórias noir.
O detetive
mora e trabalha em San Francisco, uma das mais belas cidades da
Califórnia, famosa por seus bondes hoje centenários e pela prisão
insular de Alcatraz. Lá, mantém um modesto negócio de investigação,
tendo como assistente a fiel secretária, a senhorita Effie Perine. Um
hábito constante de Spade é o fumo sagrado de todo dia. Os cigarros,
preferencialmente da marca Bull Durham, são cuidadosamente feitos à mão.
A técnica é simples: ele peneira os flocos de fumo escuro sobre um
papel curvo, enrola-os com os polegares e os lacra com uma lambida
certeira nas extremidades. Para acendê-los, usa seu isqueiro de níquel.
E, assim, dá uma rasteira na rotina diária.
Uma das
exclusividades do detetive é o trato com as damas. Elas dificilmente
resistem ao seu encanto, sua voz afável, queixo enérgico e trejeitos
conquistadores. As mulheres praticamente se jogam aos pés de Spade que,
furtivamente, aproveita as brechas nos diálogos para exercitar a
saudável arte do flerte. Apesar de todo esse charme, ele é um homem
voluntariamente solitário. É até passível à paixão, mas seu sensor de
solteirão convicto está sempre ligado. Dashiell Hammett escreveu apenas
um romance e três contos sobre este Spade. Apesar de ter produzido pouco
material, sua importância mora na autenticidade do personagem. É ele,
inquestionavelmente, o primeiro dos grandes detetives da literatura noir. E o primeiro detetive durão a gente nunca esquece.
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