quarta-feira, 10 de abril de 2013

Detetive Especialista, verdade sobre Sam Spade

Detetive Especialista verdade sobre:

Sam Spade

Em 1930, Dashiell Hammett imortalizou, nas páginas do livro "O Falcão Maltês", aquele que se tornaria o primeiro detetive durão da literatura policial. As histórias do carismático Samuel Spade, um homem que fala a linguagem das ruas e não leva desaforo para casa, foram um divisor de águas no mundo dos detetives da ficção. Com ele, Hammett inaugurou uma nova dinâmica textual nos contos policiais, batizada de literatura noir.
O gênero noir (negro, em francês) era diferente de tudo o que havia na época. O toque realista imputado às tramas sem enfeite, tensas e cheias de ação, integrava-se ao ambiente selvagem das metrópoles e ao submundo dos becos. Os personagens não refletiam mais problemas da elite, grupo social recorrente nos romances de enigma tradicionais. Caras calejados como Spade romperam a imagem do detetive bom moço, sobrevivendo em círculos regados a violência e corrupção, e valendo-se de pitadas de astúcia, sarcasmo e jogo de cintura para driblar as ciladas da vida. Chantagistas, prostitutas e ladrões eram o elenco de praxe das histórias noir.
O detetive mora e trabalha em San Francisco, uma das mais belas cidades da Califórnia, famosa por seus bondes hoje centenários e pela prisão insular de Alcatraz. Lá, mantém um modesto negócio de investigação, tendo como assistente a fiel secretária, a senhorita Effie Perine. Um hábito constante de Spade é o fumo sagrado de todo dia. Os cigarros, preferencialmente da marca Bull Durham, são cuidadosamente feitos à mão. A técnica é simples: ele peneira os flocos de fumo escuro sobre um papel curvo, enrola-os com os polegares e os lacra com uma lambida certeira nas extremidades. Para acendê-los, usa seu isqueiro de níquel. E, assim, dá uma rasteira na rotina diária.
A compleição física de Sam Spade é bem delineada nas histórias. Cabelos castanho-claros (próximos ao loiro), 1,90m de altura, olhos amarelo-pardos horizontais, mãos compridas, nariz adunco e feição sonhadora. Tem 38 anos, um maxilar longo e ossudo, e é dono de espessas sobrancelhas. Sob a descrição prodigiosa de Hammett, é fácil dar vida ao personagem. Em momentos de impaciência e preocupação, tem lá suas manias: assume um olhar atento e penetrante, pronuncia as rugas verticais sobre o nariz ou então aperta os lábios nos dentes. Spade não gosta de sentir-se coagido, ainda mais se for por algum membro da polícia. Com eles, mantém uma relação meramente participativa, se a situação assim exigir. Digamos que toda essa atitude não lhe rende muitos fãs no círculo policial...
Uma das exclusividades do detetive é o trato com as damas. Elas dificilmente resistem ao seu encanto, sua voz afável, queixo enérgico e trejeitos conquistadores. As mulheres praticamente se jogam aos pés de Spade que, furtivamente, aproveita as brechas nos diálogos para exercitar a saudável arte do flerte. Apesar de todo esse charme, ele é um homem voluntariamente solitário. É até passível à paixão, mas seu sensor de solteirão convicto está sempre ligado. Dashiell Hammett escreveu apenas um romance e três contos sobre este Spade. Apesar de ter produzido pouco material, sua importância mora na autenticidade do personagem. É ele, inquestionavelmente, o primeiro dos grandes detetives da literatura noir. E o primeiro detetive durão a gente nunca esquece.

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