Detetive Especialista verdade sobre:
Mandrake
Natural do
Rio de Janeiro, Mandrake foi um menino calado e introspectivo. Filho de
pais separados, perdeu a mãe muito cedo, tendo sido criado pelo pai. Na
adolescência, optou pela faculdade de Direito e se formou em segundo
lugar no curso, destacando-se nas disciplinas de Medicina Legal e
Direito Penal. Nos primeiros anos era um profissional idealista e
dedicado à carreira mas, com o passar do tempo, desiludiu-se com as
petições, defesas e burocracias da lei, e acabou voltando sua atenção
para outra paixão incondicional: as mulheres. Na capital carioca, divide
um escritório com o sócio Leon Wexler, um advogado sério, calejado e
uma espécie de figura paterna para ele. Contempla panoramas invejáveis
da janela do escritório, como o mar azul-escuro da baía, o parque do
Flamengo e o morro da Urca. A divisão dos encargos é ordenada: enquanto
Mandrake se encarrega das causas criminais, seu sócio assume as causas
cíveis. Mas quem trabalha para valer é Wexler, um judeu empenhado e
responsável, dotado de humor ácido e de forte senso ético. Mandrake lida
melhor com os casos de extorsão e chantagem, sendo geralmente procurado
por clientes da nata carioca.
Rubem
Fonseca expõe nas tramas a violência urbana de um Rio de Janeiro
marginal, usando uma linguagem objetiva e cortante. Seu detetive é quase
um anti-herói, um homem cínico e de valores morais questionáveis.
Mandrake tem posicionamentos e hábitos particulares, tem qualidades e
defeitos. É apaixonado pelas mulheres, mas não costuma manter
relacionamentos duradouros. A fidelidade é um substantivo que não faz
parte de seus atributos pessoais. Entre as manias que cultiva é
levemente hipocondríaco, não gosta de televisão nem de celulares e
relaxa lendo um livro na cama, pela manhã, antes de levantar. Já quanto
aos prazeres do copo, não resiste a um chopp gelado ou a uma boa taça de
vinho português (embora se renda aos vinhos de qualidade questionável
também). Aliado à bebida não podem faltar os charutos cubanos,
preferencialmente os escuros e curtos Panatela, os Havana Médios e
Supremos, os ilustres Partaga D-4 ou até os fedidos Pimentel número 02,
que gosta de fumar com estômago vazio.
Apesar das
primeiras histórias pertencerem a um Brasil dos anos 70 e 80, elas
poderiam ter sido escritas nos dias de hoje pois têm elementos e trama
condizentes com a realidade do século 21. Entre 2005 e 2007, Mandrake
ganhou uma série produzida pela HBO, com roteiro e direção de José
Henrique Fonseca, filho de Rubem Fonseca. E assim ele resiste aos
cabelos grisalhos e às paixões turbulentas, colecionando admiradores de
várias gerações.
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