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Delegados apontam omissão e falhas na segurança da boate Kiss
Zeca Ribeiro
O delegado Marcelo Arigony (microfone) disse ter se frustado com as denúnicas apresentadas pelo MP
Os delegados relataram várias falhas de segurança da boate como a colocação inadequada de espuma para vedação do som e a falta de saídas de emergência e de sinalização. Também relacionaram uma série de omissões de órgãos públicos, que acabaram permitindo que a casa noturna estivesse aberta, mesmo com irregularidades.
Vários momentos da audiência foram tensos, porque o sub-relator da comissão, deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) pressionou os delegados por explicações sobre os critérios usados na investigação. “Quem vai levar a pior são os proprietários e ninguém da área técnica”, afirmou.
Denúncia
Nesta semana, o Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou oito pessoas, entre eles os dois donos da boate e outros dois músicos por homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar. A Polícia Civil havia indiciado 16 pessoas. Os delegados disseram respeitar a decisão dos promotores, mas que ficaram frustrados porque nenhuma autoridade ou servidor público foi apontado como responsável pela tragédia.
“Concordo que não devam ser responsabilizadas só quatro pessoas. Desde o início falamos que há dois núcleos de responsabilidade: os diretamente envolvidos com o incêndio e um mais grave: o envolvido com alvarás”, afirmou o delegado Marcelo Arigony.
O Ministério Público pediu mais investigações sobre possíveis indícios de culpa dos seguranças, de duas sócias da boate e de dois integrantes da Prefeitura de Santa Maria.
Trabalhos
Na próxima quarta-feira (10) a comissão especial que investiga as causas da tragédia na boate em Santa Maria vai debater a obrigatoriedade de seguro para locais que concentram grande quantidade de pessoas, como forma de forçar a haver mais segurança. A ideia é colher sugestões para melhorar as leis atuais.
“O Brasil vai sair com uma legislação muito melhor do que a que tem hoje, que é muito falha. Em Santa Maria houve uma cadeia de erros e não podemos permitir que ocorram mais”, explicou o coordenador da comissão especial, deputado Paulo Pimenta (PT-RS).
Os parlamentares também querem ouvir o representante do Ministério Público que firmou acordo com a boate sobre uma reforma para conter o barulho semanas antes da tragédia.
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