Detetive tenta extorquir locadora de veículos e é preso em shopping de luxo de SP

O
detetive particular Amadeu Bertho da Silva, 41, foi preso em SP por tentativa de extorsão
A Polícia Civil em São Paulo prendeu em flagrante um detetive
particular suspeito de tentar extorquir uma locadora de veículos em R$
300 mil. A prisão aconteceu nessa terça-feira (21) em um shopping de
luxo na zona oeste da capital, mas só foi divulgada nesta quarta-feira
(22).
De acordo com o delegado titular do 15º DP (Itaim Bibi), Valter Sergio
de Abreu, Amadeu Delanhy Bertho da Silva, 41, morador de Olinda (PE),
teria colocado à empresa o valor como condição para não a expor em
reportagens sobre vazamentos de dados de clientes.
Segundo o delegado, o primeiro contato do detetive aconteceu mês
passado, quando ele teria ligado para a locadora e dito que teve acesso a
informações de cartões de crédito de clientes dela.
"Ele falou com o diretor jurídico da locadora, afirmou que havia
descoberto uma quadrilha de hackers que tinha roubado dados de cartões
de clientes, em nível nacional, e ofereceu os serviços de desbaratamento
dessa quadrilha para a empresa. O advogado disse que falaria com o alto
comando da empresa –na verdade, checaria se os dados tinham vazado",
disse o delegado.
No último dia 13, Silva teria mandado um e-mail à locadora no qual
afirmara, entre outros pontos, ter sido procurado por um programa de TV
para falar sobre "roubo de informações de empresas". "Nisso, ele disse
ao diretor jurídico que havia gasto R$ 120 mil só para descobrir o
ataque hacker e que podia trabalhar de outras formas para ser
recompensado –caso contrário, procurado pelo programa, poderia colocar a
empresa como 'vitrine' da matéria e contratar um escritório de
advocacia para receber a reclamação dos clientes que fossem lesados pela
quadrilha".
Conforme o policial, "a negociação prosseguiu como extorsão" –até que,
um dia antes do encontro no café do shopping em São Paulo, o suspeito
ainda teria ameaçado expor o caso em programa policial na TV. "Ele
argumentou que o apresentador do programa era amigo dele", relatou o
delegado.
Abreu afirmou que a prisão aconteceu quando ele receberia o dinheiro
para não supostamente levar o caso à mídia. Indagado sobre as provas que
subsidiam o indiciamento do detetive, o delegado citou o e-mail enviado
à locadora e depoimentos de três funcionários relatando as ameaças.
"A empresa vai fazer uma auditoria interna para saber como parte desses
dados de fato vazaram; já nós investigaremos se havia algum funcionário
deles alimentando essa fraude", citou, referindo-se a um extrato com
dados de cartões de crédito de clientes apresentado pelo detetive e
reconhecido pelo diretor da empresa ao saber do suposto ataque hacker.
Silva não tem passagens pela polícia paulista, mas o 15º DP apura se ele tem passagens em outros Estados.
Se deu alguma justificativa ao ser preso? Segundo o delegado, "ele
disse que oferecia um serviço para identificação de hackers e prisão dos
autores, mas que não podia dizer mais nada a respeito".
O advogado informado na delegacia como representante do detetive não
atendeu as ligações nos dois números de celular fornecidos no
escritório, nem retornou o pedido de entrevista.
O crime de extorsão prevê pena de quatro a dez anos de reclusão. O
detetive foi levado para a carceragem do 91º DP, de onde seria
encaminhado a um CDP-2 (Centro de Detenção de Osasco (Grande SP).
Candidato em 2010, detetive não se elegeu
Segundo
o levantamento "Políticos do Brasil", do jornalista Fernando Rodrigues,
Amadeu foi candidato a deputado estadual em 2010 pelo PPS, em Pernambuco, mas não se elegeu --recebeu 941 votos, ou 0,2% do total.
À época, declarou à Justiça Eleitoral pouco mais de R$ 36 mil em bens.